KI-HON

Antes do Kumite e das Katas, o Karateka iniciado aprende e repete sucessivamente as primeiras técnicas (Gedan Barai, Oi.Tsuki, Mae-Geri, etc.), as primeiras posições (Zenkutsu Dachi, Kiba Dachi, Kokutsu Dachi) e deslocações. É o treino de base. É o Ki-Hon que permite trabalhar e analizar cada técnica, em termos de estrutura corporal e de coordenação, até que seja bem assimilada pelo corpo.

Este "trabalho" individual (sem parceiro) em que o Karateca repete sucessivamente a execução até que se verifique uma fixação da técnica, conduzi-lo-á à formação do hábito de execução correcto e a uma compreensão mais profunda da técnica.

O uso das repetições constantes e da memória muscular, não deverão ser os únicos métodos para aprender e desenvolver técnicas físicas. O mais importante elemento do treino, a mente, deverá ter o papel principal, caso contrário, e por negligência, é desenvolvida uma forma de "preguiça mental".

Imaginar o movimento, visualizar nos mínimos pormenores a acção dos músculos, das articulações, etc., é ter uma maior e melhor consciência do corpo e "caminhar" no sentido do gesto correcto.

A etapa inicial de aprendizagem é uma fase de grandes deficiências técnicas (por isso o Ki-Hon ocupa uma parte importante da aula) e a sua duração dependerá da habilidade, talento e empenho do praticante, assim como da complexidade das técnicas envolvidas.

O verdadeiro desejo de progresso e de pefeição leva a que os Karatecas mais avançados não dispensem o Ki-Hon, pois sabem que para melhorar e dominar as técnicas (ofensivas e defensivas) ao mais alto nível de eficiência, e mantê-lo, são necessárias milhares de repetições. A duração desta fase não tem limites.

Durante o ensino de uma técnica, é oportuna a adaptação do ditado chinês "mais vale uma boa fotografia que mil palavras", que expressa a ideia e revela a importância da imagem, que no caso concreto do Karate, é dada aos alunos, dos gestos técnicos que se pretendem transmitir aquando da demonstração.

A escolha do modelo para a demonstração aos escalões etários mais baixos, deverá ser feita tendo em consideração uma perfeição técnica impecável, pois nestas idades "tudo entra pelos olhos".

Após a explicação e demonstração da técnica que vai "imitar", o Karateca iniciado deverá ter compreendido a finalidade objectiva da técnica, a sua ligação com a realidade da prática, assim como as situações da sua utilização mais frequentes.

Durante a "imitação", o Karateca (usando a mente, e o seu corpo em movimentos naturais) deverá tentar descobrir o que fez bem, o que esqueceu e o que fez mal, auto-corrigindo-se, e o seu instrutor assegurar um número suficiente de repetições.

Mesmo sabendo que em cada etapa da sua aprendizagem irá ter contacto com novos conhecimentos, não deverá passar rapidamente "por cima" dos anteriores e essencialmente daquilo que que está conseguindo no momento.

O ritmo do Ki-Hon pode ser variável: lento, médio ou rápido.

Para os iniciados deverá ser lento, pois não há vantagem na execução rápida de técnicas que ainda não se encontram perfeitamente assimiladas. Além disso, repetindo lentamente, poderão aperceber-se da importância dos pormenores e executarem mais correctamente, terem uma melhor noção do trabalho muscular e articular e da importância da concentração.

Para os mais avançados, um ritmo médio ou rápido, contribuirá também para o desenvolvimento das capacidades condicionais.

Se numa primeira fase, e através do Ki-Hon, procura dotar-se o Karateca iniciado com um conjunto de conhecimentos e de informações fundamentais para o seu progresso, procura-se de seguida, com uma informação mais abundante e detalhada e com um grau de exigência física, técnica e psicológica maiores, tornar mais clara a utilidade e a dimensão do Ki-Hon e do próprio Karate.

Por fim. será sempre o esforço individual que conduzirá o Karateca a descobrir e a sentir as pequenas e as grandes "coisas" que numa dada altura ainda não estavam "claras" e a tornar o Ki-Hon uma prática mais consciente, autónoma e criativa.